terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Meu silêncio, sua decisão


Os ponteiros do relógio parecem parar a cada batida do meu coração. Seis horas da manhã e eu ainda não fui me deitar, comigo ficou seu cheiro, seu olhar, você. Como posso esquecer? Foi duro demais, foi difícil demais. Tento encostar minha cabeça no travesseiro e dormir, mas o silêncio o traz aqui, quando eu menos espero. Como é cruel esse silêncio que me tortura até a última gota de lágrima. Será que tudo isso é mesmo a coisa certa a se fazer? Sofrer sozinho não me parece algo bom. Ficar sem você me parece terrível. O ser humano é mesmo cheio de defeitos, eu sou, você é. O amor muitas vezes precisa superar obstáculos que parecem impossíveis, o amor precisa ser forte para não se machucar nas quedas que são inevitáveis.

E hoje, só queria que estivesse aqui, mas sua indiferença está me matando pouco a pouco. O sono não vem, a fome não vem, a paz não vem. Em mim só restou um fio de esperança e uma dor insuportável. Não consigo admitir ou até aceitar que o amor que um dia havia em nós morreu. A escolha de ser feliz está nas mãos de cada um, a minha felicidade ainda estava presa em minhas mãos quando você não permitiu que ela ali ficasse. Cortou minhas asas, me fez cair de cara no chão.

E agora eu estou muito machucada. Muito mesmo, minha alma em pedaços não consegue mais alçar voo. Você foi e se esqueceu de devolver meu coração, como eu viverei assim? Procuro ser forte o bastante para superar, olho nos olhos das pessoas com toda a convicção de que não está doendo, mas no silêncio eu desabo. Tento desviar meus olhos de tudo e todos na esperança de esconder o choro, mas até a mais desatenta das pessoas notaria meu pranto preso no olhar.

Como pôde me dizer aquelas coisas? Não entendo. Você estava tão incluso em meus planos como o ar que respiro e agora? O que faço com tudo? E meu ar? Onde? Não posso mais, simplesmente.

Acabou e agora o que eu faço com as poesias? E com o amor que ficou?

E com o meu coração, o que eu faço? Simplesmente apago todos os sentimentos como se nunca houvessem existido? Tento adormecer aos poucos ou espero o sol nascer para secar minhas lágrimas? O amor nunca termina, se terminou não era amor. E os desencontros são fatais, as dores inconsoláveis e os sentimentos indissolúveis. E agora? O que eu faço com a carta que me diz "Eu te amo!"? O que eu faço com as músicas que me fazem lembrar e com os pensamentos? O que eu faço com a minha vida?

E nesse instante penso, conseguiu dormir depois de tudo o que aconteceu? Eu não. E vou passar a noite em claro tentando achar respostas que não chegam.

(Ana Luisa Ricardo - 1º ano Português/ Espanhol)

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