quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

"Um clima de sonho se espalha no ar
Pessoas se olham com brilho no olhar
A gente já sente chegando o Natal
É tempo de amor, todo mundo é igual
Os velhos amigos irão se abraçar
Os desconhecidos irão se falar
E quem for criança vai olhar pro céu
Fazendo um pedido pro velho Noel

Se a gente é capaz de espalhar alegria
Se a gente é capaz de toda essa magia
Eu tenho certeza que a gente podia
Fazer com que fosse Natal todo dia

Um jeito mais manso de ser e falar
Mais calma, mais tempo pra gente se dar
Me diz por que só no Natal é assim?
Que bom se ele nunca tivesse mais fim
Que o Natal comece no seu coração
Que seja pra todos sem ter distinção
Um gesto, um sorriso, um abraço, o que for
O melhor presente é sempre o amor..."

(Roupa Nova)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Discurso de Formatura



Definição da palavra Letras segundos os principais dicionários:

Classe gramatical de letras: Substantivo feminino plural.

Separação das sílabas: le-tras.

Possui seis letras sendo - duas vogais (e/a) e quatro consoantes (l t r s).

A palavra Letras escrita ao contrário é sartel.

Aplicação numa frase:
“Hoje recebemos nosso diploma porque, depois de um longo caminho, nos graduamos em LETRAS”.

E é nesse contexto que percebemos que nosso caminho das Letras é outro.
É esse percurso que talvez nos tenha levado a compreensão do que Carlos Drummond de Andrade sabiamente quis dizer em: “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Talvez a pedra de Drummond fosse à mesma de João Cabral de Melo Neto “as palavras devem funcionar como pedras, se pronunciadas que se pronunciem, mas com boca que se pronuncie pedra” quando a pedra aqui, representa a força bruta ao atingir o alvo. É, e nós atingimos!
Os outros cursos que nos perdoem, mas quem estuda Letras tem o dom: o dom da paciência (com os professores enquanto alunos, e com os alunos quando finalmente nos tornamos professores), o dom da amizade com os livros, do amor com as palavras, o dom de enganar o sono, de esquecer-se da fome, de lembrar-se só de respirar.
Quem faz Letras tem o dom de perceber o que as outras pessoas não percebem, e por isso não conseguem responder a pergunta que mora na ponta de muitas línguas: estudar isso pra que?
O idioma sendo o pai de cada nação, a Literatura se torna mãe. Estudamos para nos conhecer, para criar identidade, para nos identificar com as situações dos livros e sentir um breve momento de dor para que não tenhamos que senti-la por nós mesmo. Por um momento deixamos de ser realidade e passamos a ser ficção: a ficção que nos conta a verdade. Não é mesmo Fernando Pessoa? “O poeta é um fingidor, finge tão completamente que chega fingir que é dor, a dor que deveras sente”.
Hoje nossas letras se transformaram em um agradecimento e em uma certeza de que isso não é um fim: é apenas um novo capítulo na vida de cada um, capítulo de livro novo, capa dura, gravura vistosa e com uma dedicatória especial a cada um que tornou esse nosso sonho – isso que vivemos agora – a realidade de estarmos formados.
Agradecer aqui, que fique claro, vai ser apenas um símbolo, uma pequena demonstração de tudo aquilo que gostaríamos de gritar pro mundo todo. Mas pais, tios, avós, padrinhos, irmãos e agregados – escutem baixinho nosso sussurro no ouvido – “Obrigada” – pois acreditem, para nós, vocês são o nosso mundo todo.
Aos mestres que nos apresentaram Sausurre, Bakthin, Moisés, Vygostsky – e que por tantas vezes, por longos finais de semana nos fizeram trocar nossos namorados, noivos e esposos por essas figuras. Nossa vitória hoje é espelho de toda dedicação de vocês, refletimos nas lágrimas alegres e aliviadas todo o conhecimento partilhado como ponte – pois como bem disse Cora Coralina “Feliz é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”.
Agradecemos a Deus pela força, perseverança, paciência, sabedoria e inteligência, por Ele nunca ter nos abandonado mesmo quando por algum desgaste da nossa pequenez humana, nos esquecemos Dele. Que todos os dias possamos em oração pedir que a Sua Santa Luz ilumine nossos passos e nossos caminhos, para que não sejamos apenas professores, mas educadores da alma.
E já que quem estuda Letras conhece de tudo um pouco, sabe de todas as Letras, de muitas palavras – mesmo que mais no semântico que no sintático, e mais no conotativo que no denotativo – das vinte e seis letras do alfabeto que se transformam no infinito, e muitas vezes das poucas que se resumem em tudo, possamos assim definir o porquê de termos escolhido Letras.
Mas atenção, não se engane com a facilidade da explicação, porque estudar Letras é aprender todo dia que tudo pode mudar. E que não nos esqueçamos nunca que é sempre com uma letra que se começa uma linda história.
E hoje essa nossa história começa com a letra M – M de MUITO OBRIGADA!

(Débora Carolina de Souza Bonato – Formanda Letras/ Espanhol)

terça-feira, 13 de dezembro de 2011



Simpatia, Casemiro
É ler poeta assim
Alguém que admiro
Como flores no jardim

Simpatia, seu Abreu
É o perfume da rosa
Expresso no que se leu
Na poesia ou na prosa

É olhar que acalma
É verso com sabor
Ou como diz tua alma
“É quase amor”

(Profa Ms. Marícilia Lopes)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Flor de ir embora


É triste desatar o nó
Romper o laço, amordaçar o verso
Prender a alma, escravizar o sentimento.
Flor do desespero, flor do tempo.

Desapegar o apreço
Aderir à dor, desconstruir sonhos
Redescobrir os segredos.
Flor do equívoco, flor do medo.

Chorar poesias e lágrimas
Sangrar músicas, rasgar páginas
Beber o ópio, matar o épico desejo
Flor da dor, flor do desapego.

Temer o perfume, abrir suas pétalas
Dilacerar os registros que eternizaram
o corpo, a alma e a arte.
Flor da demora, flor da saudade.

Seguir meu caminho, encontrar outro destino
Levar o vulto da paixão e do ardor
Semear a amizade no meu caminho.
Flor de ir embora, meu amor, flor de ir embora.

(Rodolfo Lemos - 2º ano Português/ Espanhol)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Biodiversidade linguística


Ser mineiro é dizer “uai”

E nas tradições de filho e pai

Minas vive de leite e Jota Quest

De Skank e quem investe


“Ba tche! Diz o bom gaucho

Quanto espanto, quanto luxo

A Europa brasileira

Que frio! Sem brincadeira


“Ôche Mainha!”

Na Bahia do Senhor do Bonfim

Acarajé, vatapá, tamborim


“Vô toca uma moda pro’ceis”

No interior é assim

E viva o Brasil!


(Alaor Pedroso Netto - 2º ano Letras Espanhol)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Amor, beijos e promessa

A sua voz ainda ecoa pelos meus instintos e ainda sou capaz de sentir como outrora, o frio na espinha que me causas.

Delírios sussurrados e promessas de um amor sóbrio. Sonetos improvisados escritos aos beijos, cujo papel é o dorso que se ajeita entre um e outro arrepio. Frases curtas. Desejos longos. Mãos que se entrelaçam num breve momento eterno.

Sorriso interno pras lembranças de particularidades divididas. Amor pueril de domingo na praça. Sorvete aos beijos.

Olhos fixos na lua de promessas fáceis, pôr-do-sol ligeiro tal como a duração do girassol.

Mesmo ritmo, mesma melodia, harmonia entre os tons da fala e da pele. Com passos largos em breves compassos. Música marcada pelas batidas do coração. Jogos de amor, onde se é permitido roubar beijos e ambos saímos vencedores. Há braços que se encaixam num delicioso abraço.

A flor no cabelo e na lapela. O riso dispersando o juízo.

Declarações eternas. Obrigação de ir, querência de ficar. E na próxima cena o beijo desesperado de boa noite carrega a promessa ao ouvir: “eu volto, na esperança de nunca mais ter que partir”.

(Débora Carolina de Souza Bonato - 3º ano Português/ Espanhol)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Meu silêncio, sua decisão


Os ponteiros do relógio parecem parar a cada batida do meu coração. Seis horas da manhã e eu ainda não fui me deitar, comigo ficou seu cheiro, seu olhar, você. Como posso esquecer? Foi duro demais, foi difícil demais. Tento encostar minha cabeça no travesseiro e dormir, mas o silêncio o traz aqui, quando eu menos espero. Como é cruel esse silêncio que me tortura até a última gota de lágrima. Será que tudo isso é mesmo a coisa certa a se fazer? Sofrer sozinho não me parece algo bom. Ficar sem você me parece terrível. O ser humano é mesmo cheio de defeitos, eu sou, você é. O amor muitas vezes precisa superar obstáculos que parecem impossíveis, o amor precisa ser forte para não se machucar nas quedas que são inevitáveis.

E hoje, só queria que estivesse aqui, mas sua indiferença está me matando pouco a pouco. O sono não vem, a fome não vem, a paz não vem. Em mim só restou um fio de esperança e uma dor insuportável. Não consigo admitir ou até aceitar que o amor que um dia havia em nós morreu. A escolha de ser feliz está nas mãos de cada um, a minha felicidade ainda estava presa em minhas mãos quando você não permitiu que ela ali ficasse. Cortou minhas asas, me fez cair de cara no chão.

E agora eu estou muito machucada. Muito mesmo, minha alma em pedaços não consegue mais alçar voo. Você foi e se esqueceu de devolver meu coração, como eu viverei assim? Procuro ser forte o bastante para superar, olho nos olhos das pessoas com toda a convicção de que não está doendo, mas no silêncio eu desabo. Tento desviar meus olhos de tudo e todos na esperança de esconder o choro, mas até a mais desatenta das pessoas notaria meu pranto preso no olhar.

Como pôde me dizer aquelas coisas? Não entendo. Você estava tão incluso em meus planos como o ar que respiro e agora? O que faço com tudo? E meu ar? Onde? Não posso mais, simplesmente.

Acabou e agora o que eu faço com as poesias? E com o amor que ficou?

E com o meu coração, o que eu faço? Simplesmente apago todos os sentimentos como se nunca houvessem existido? Tento adormecer aos poucos ou espero o sol nascer para secar minhas lágrimas? O amor nunca termina, se terminou não era amor. E os desencontros são fatais, as dores inconsoláveis e os sentimentos indissolúveis. E agora? O que eu faço com a carta que me diz "Eu te amo!"? O que eu faço com as músicas que me fazem lembrar e com os pensamentos? O que eu faço com a minha vida?

E nesse instante penso, conseguiu dormir depois de tudo o que aconteceu? Eu não. E vou passar a noite em claro tentando achar respostas que não chegam.

(Ana Luisa Ricardo - 1º ano Português/ Espanhol)